Todo País

Continente e Ilhas

Todo o Ano

Em horário alargado

Fale connosco

212 841 984

Reabilitação Cardíaca em Insuficiência Cardíaca

A Insuficiência Cardíaca (IC) é a incapacidade do coração bombear sangue suficiente para suprir todas as necessidades do organismo. A IC pode ser aguda ou crónica. Aguda é quando ocorre de forma súbita ou há uma descompensação da IC crónica e IC crónica é caracterizada por sintomas típicos da IC (dispneia, fadiga e edema nos MI),sendo evidentes em esforço ou em repouso. Estes são os principais factores para uma diminuição de actividade física, social e qualidade de vida (Chung and Schulze 2012). A intolerância ao esforço, também característica da IC, leva a que o indivíduo reduza as suas atividades e consequentemente resulte num maior descondicionamento muscular e anomalias respiratórias. Desta forma, cria-se um ciclo vicioso entre dispneia-redução da actividade física-descondicionamento muscular, levando a um agravamento do prognóstico.(Iliou 2003)

Nos últimos anos, o aumento da população idosa em Portugal tem sido notório, há por isso uma necessidade de evitar e/ou reduzir os riscos prévios ao aparecimento da IC, retardando ou evitando o seu desenvolvimento.


A Insuficiência Cardíaca requer intervenção terapêutica urgente (Marques and Bettencourt 2017). A reabilitação cardíaca (RC) visa não só melhorar a sintomatologia mas prevenir a transição de IC assintomática para IC sintomática. Os principais objectivos são: prevenir e/ou controlar factores de risco, prevenir a progressão da IC quando diagnosticada, morbidade (manutenção ou melhoria da qualidade de vida e evitar re-admissões) e reduzir a mortalidade.


Programas de Treino

O treino com exercício tem sido recomendado na intervenção em indivíduos com IC. Há três tipos de programas de treino: resistência aeróbia (contínuo ou intervalado),força/resistência e respiratórios(Chung and Schulze 2012). O treino aeróbio (contínuo ou intermitente) e exercícios resistidos melhoram as capacidades funcionais e físicas. A capacidade aeróbia do indivíduo melhora com a prática de exercício devido à produção de ATP mitocondrial, que acontece durante o fortalecimento muscular.

Tantos exercícios aeróbicos (Adamopoulos et al. 1993; Beckers et al. 2008; Hambrecht et al. 2016; Maiorana et al. 2011) como anaeróbicos (Ades and Toth 2012) promovem melhoria do pico de VO2.

A resposta durante o exercício depende da duração e intensidade do mesmo, bem como da massa muscular a ser trabalhada.

A duração e a frequência são variáveis, por exemplo: 3 vezes/semana, durante 12 semanas (Maiorana et al. 2011); 3 vezes/semana, durante 18 semanas (Ades and Toth 2012); 7 vezes/semana, durante 12 semanas (Granville et al. 2007); 3 vezes/semana, durante 3 meses (Silva et al. 2002), 2 vezes/semana, durante 5 meses (Jónsdóttir et al. 2006); 3 vezes/semana, durante 6 meses (Beckers et al. 2008). A duração do exercício deve ser aumentada de forma gradual, de acordo com a tolerância do indivíduo.

Há controvérsias na literatura relativamente à melhor intensidade de exercícios em indivíduos com IC. A intensidade da actividade física deverá ser individualizada e a progressão deve ser gradual. A intensidade inicial recomendada para atividade física aeróbica é 80% da FC, entre o limiar anaeróbio até 10% abaixo do ponto de compensação respiratória, há melhoria significativa da capacidade física, em indivíduos com IC.

Um estudo realizado em 2005(Austin et al. 2005) mostrou que os maiores efeitos do exercício ocorreram nas primeiras 8 semanas, quando os indivíduos receberam uma intervenção mais intensiva.

Após o exercício deve haver alongamento muscular.

A função dos músculos respiratórios pode estar afretada, podendo reflectir-se em fraqueza e falência da musculatura respiratória (Cardíaca et al. 2007; Evans et al. 1995). Um programa de treino muscular específico para a musculatura respiratória permite uma melhoria da força muscular, capacidade funcional e qualidade de vida (Dall'Ago et al. 2006). É necessário haver um acompanhamento fisioterapêutico, mantendo o foco no treino de músculos respiratórios, para proporcionar melhoria nos sintomas e prognóstico(Cardíaca et al. 2007).


​Principais Conclusões

Em suma, a prevenção deve ser um objectivo primário. Desta forma, a intervenção nos factores etiológicos modificáveis deve ser uma prioridade. A prevenção primária em indivíduos assintomáticos tem benefícios na redução da mortalidade.

Os resultados diferem consoante o tipo, duração e intensidade do exercício porém o resultado geral é uma redução da frequência cardíaca de repouso, melhoria da resposta e tolerância ao exercício físico.

Recomenda-se que os indivíduos com IC possam ter acompanhamento para melhorar a adesão ao tratamento, diminuir hospitalizações e visitas em unidades de emergência, havendo uma melhoria da qualidade de vida e que a intervenção seja feita por uma equipa multidisciplinar para actuar nas diversas áreas para benefício do indivíduo. 

Classifique este blog:
7
O fenómeno do síndrome do medo de cair
O que é a Artrose? Sinais, sintomas, evolução e tr...

Related Artigos

 

© Fisiolar - Todos os direitos reservados.