O medo de cair é um factor muito comum em idosos, principalmente naqueles que sofreram quedas (Kiel et al, 1991; Kong et al, 2002; Swift et al 2001). Enquanto síndrome, o medo de cair pode conduzir a diversas consequências, sejam elas de ordem física ou psicológica. 

Liddle e Gilleard (1995, citados por Kong 2002) verificaram num estudo em que 25% dos utentes expressavam claramente medo de sofrer uma queda, que esse medo estava primariamente relacionado com o estado emocional do que com o estado físico. 

Diversos estudos demonstram que aproximadamente entre 25% a 55% da população idosa revela ter medo de cair e, que destes, entre 20% a 55% restringe as suas actividades (Howland et al, 1993 e 1998; Tinetti et al, 1994; Petrella et al, 2000). Uma das principais consequências do medo de cair é a restrição de actividades. A forma como os idosos restringem as suas actividades devido ao medo de cair está relativamente pouco estudada, no entanto, nos poucos estudos já efectuados, verificou-se que os idosos que restringem as suas actividades têm menor capacidade funcional do que aqueles que não têm medo de cair (Fessel et al, 1997; Howland et al, 1998). 

Considerando a relação entre as quedas e o medo de cair, é compreensível que as restrições de actividades sejam, por seu turno, um factor de risco predisponente para as quedas, uma vez que conduzem à atrofia muscular e, em última instância, à diminuição da funcionalidade e do estado geral de saúde (Tinetti, 1995). Outros estudos verificaram que o medo de cair contribui para a perda de independência através da restrição de actividades (Chandeler et al, 1996, Vellas et al, 1987 e Tinetti et al, 1993, citados por Murphy et al, 2002). 

Estes fenómenos condicionam as capacidades físicas do idoso, diminuindo progressivamente a sua funcionalidade e independência, o que se reflecte na qualidade de vida da pessoa idosa (Kiel el at, 1991; Li et al, 2003). O medo de cair pode também, deste modo, comprometer a qualidade de vida, limitando os contactos sociais e actividades de lazer (Arfken et al, 1994; Howland et al, 1993). 

Na literatura verifica-se a existência de um consenso entre os estudos que indicam que o medo de cair está correlacionado com a diminuição da qualidade de vida. Um estudo realizado por Salkeld et al (2000) que tinha como objectivo verificar a associação entre qualidade de vida, o medo de cair e fracturas da anca numa população de mulheres idosas, revelou que 80% das mulheres entrevistadas preferiam morrer a perder independência devido à fractura e a serem consequentemente institucionalizadas. Do estudo conclui-se que para as mulheres idosas que excederam a esperança média de vida, a qualidade de vida é profundamente influenciada pelas quedas e fracturas da anca tendo qualquer perda de funcionalidade um efeito muito negativo na qualidade de vida. 

Existem actualmente diversas publicações referentes ao síndrome do medo de cair, estudos esses que investigaram tanto os factores predisponentes ao surgimento do mesmo, como as consequências deste na população idosa. Como fisioterapeuta considero importante estarmos (nós os profissionais, os próprios pacientes e quem cuida deles) informados sobre esta questão por forma a direccionarmos melhor as nossas intervenções, tomando em consideração estes factores, que embora estejam minimamente investigados, na prática podem ser pouco tidos em conta.